
Dor na mandíbula e estalidos: quando procurar fisioterapia da ATM?

Dor ao mastigar, dificuldade em abrir a boca ou desconforto junto ao ouvido podem estar associados a uma disfunção temporomandibular. Quando estes sintomas interferem com a alimentação, o sono ou o bem-estar, uma avaliação ajuda a compreender a sua origem e a definir o tratamento.
A fisioterapia pode contribuir para aliviar a dor e recuperar a função da mandíbula, integrada num acompanhamento adaptado a cada pessoa.
O que é a ATM?
A articulação temporomandibular, ou ATM, liga a mandíbula ao crânio. Temos uma de cada lado, à frente dos ouvidos, que participa em movimentos como falar, mastigar e bocejar.
As disfunções temporomandibulares — DTM — podem envolver as articulações, os músculos da mastigação ou ambos. Algumas situações incluem também dor de cabeça relacionada com a função mandibular.
Quais são os sintomas mais frequentes?
Dor na mandíbula, na face ou junto ao ouvido.
Dor ao mastigar, bocejar ou abrir muito a boca.
Dificuldade ou limitação na abertura da boca.
Sensação de rigidez ou episódios de bloqueio.
Estalidos acompanhados de dor ou dificuldade de movimento.
Um estalido sem dor nem limitação geralmente não necessita de tratamento. Os sintomas também podem ter outras causas, nomeadamente dentárias, pelo que não devem ser automaticamente atribuídos à ATM.
Como é feita a avaliação?
A avaliação começa pela história dos sintomas: quando surgiram, o que os agrava, se existem bloqueios e como afetam as atividades diárias.
O exame pode incluir a amplitude e a qualidade dos movimentos da mandíbula, a palpação dos músculos mastigatórios e das articulações e a identificação de movimentos que reproduzem a dor habitual.
Os critérios internacionais DC/TMD também valorizam a avaliação da limitação funcional e dos fatores psicossociais associados à dor. Esta abordagem ajuda a compreender o problema para além do local onde dói. [1]
Como pode ajudar a fisioterapia?
1. Compreender e gerir os sintomas
A educação ajuda a reconhecer atividades ou hábitos que agravam o desconforto, como apertar os dentes durante o dia ou mastigar pastilha elástica repetidamente.
Durante uma fase dolorosa, pode ser útil adaptar temporariamente a consistência dos alimentos e evitar movimentos excessivos, retomando gradualmente a função.
2. Recuperar o movimento através do exercício
Os exercícios podem trabalhar a mobilidade, a coordenação e a capacidade dos músculos da mastigação. A escolha e a progressão dependem da avaliação; forçar a abertura da boca não é adequado para todas as situações.
3. Terapia manual e técnicas complementares
As técnicas de terapia manual dirigidas aos músculos e às articulações podem ajudar a aliviar sintomas e facilitar o movimento, integradas num plano de recuperação.
Na Fisicamente, consoante a avaliação e a indicação clínica, podemos também recorrer à tecarterapia e à neuromodulação não invasiva ou invasiva ecoguiada. A escolha considera as características do problema, as contraindicações e as preferências da pessoa, após esclarecimento dos benefícios esperados, limitações e riscos.
Estes recursos complementam o acompanhamento e não substituem a educação, o exercício terapêutico e a recuperação progressiva da função. A evidência científica varia entre técnicas e não permite recomendar todas de forma generalizada para as disfunções temporomandibulares.
Para a dor crónica associada a DTM, com duração igual ou superior a três meses, as recomendações publicadas no BMJ destacam intervenções como educação, exercícios orientados e determinadas técnicas manuais. Estas recomendações não constituem uma validação de todas as técnicas complementares referidas. [2,3]
4. Articular com outras áreas
O acompanhamento pode envolver Medicina Dentária e, quando indicado, Psicologia ou avaliação médica. Sono, stress e impacto emocional podem influenciar a experiência de dor, sem que isso signifique que a dor seja imaginária.
Quando procurar ajuda?
Procure avaliação se a dor persistir, se houver bloqueios repetidos ou se estiver a limitar a alimentação.
Uma incapacidade súbita de abrir ou fechar a boca, sobretudo após traumatismo, justifica avaliação urgente. Inchaço facial importante, febre ou dificuldade em engolir também exigem avaliação médica.
Perguntas frequentes
A mandíbula estala, mas não dói. Preciso de tratamento?
Um estalido isolado, sem dor nem limitação, geralmente não exige tratamento. Procure avaliação se surgirem dor, bloqueios ou alterações na capacidade de movimentar a mandíbula.
A fisioterapia substitui a goteira?
São intervenções com indicações diferentes. A goteira não é necessária em todas as DTM e a sua indicação deve ser avaliada pelo médico dentista, distinguindo o controlo da dor da proteção dos dentes.
Preciso de uma ressonância magnética?
Nem sempre. A necessidade de exames depende da história clínica, do exame físico e da suspeita de alterações que possam modificar o tratamento.
Devo evitar mastigar?
Pode ser útil adaptar temporariamente a consistência dos alimentos durante uma fase dolorosa. O objetivo é recuperar gradualmente uma mastigação confortável, evitando restrições prolongadas sem indicação. [4]
Fisioterapia da ATM na Fisicamente, no Porto
Na Fisicamente, a avaliação permite compreender as suas dificuldades e definir objetivos, como mastigar com mais conforto, melhorar a abertura da boca ou reduzir a interferência da dor no dia a dia.
Se tem dor na mandíbula ou dificuldade em mastigar, peça uma avaliação na Fisicamente.
José Alberto Santos e Silva
Fisioterapeuta | Diretor Clínico da Fisicamente
Ordem dos Fisioterapeutas n.º 578
Referências científicas e clínicas
Schiffman e colaboradores, 2014. Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders — DC/TMD. Referência internacional para avaliação e diagnóstico.
Busse e colaboradores, 2023. Management of chronic pain associated with temporomandibular disorders: a clinical practice guideline. Recomendações clínicas publicadas no BMJ.
Yao e colaboradores, 2023. Management of chronic pain secondary to temporomandibular disorders: a systematic review and network meta-analysis of randomised trials. Revisão sistemática que fundamenta as recomendações.
National Institute of Dental and Craniofacial Research. Temporomandibular Disorders. Informação clínica destinada ao público.
Este artigo tem finalidade informativa e não substitui uma avaliação individual.